Por Pedro Boeno | 03 de fevereiro de 2026 - 18:44 BRT
Campinas/SP – Entre 2 e 6 de fevereiro, peritos da Polícia Científica do Tocantins participam de um treinamento intensivo em reconhecimento biométrico no Instituto de Computação da Unicamp, em parceria com a Griaule, líder latino-americana em sistemas de identificação.
O curso de 25 horas reflete a corrida brasileira por soluções de Inteligência Artificial (IA) que respeitem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e fortaleçam a soberania digital no setor público.
- Em resumo: Capacitação mostra como redes neurais elevam a biometria a sistemas multimodais, ampliando a precisão forense e a defesa contra fraudes.
Do reconhecimento papiloscópico clássico à IA multimodal
Durante décadas, a identificação criminal dependedia majoritariamente da papiloscopia manual.
Agora, algoritmos de deep learning cruzam impressões digitais, traços faciais e padrões de voz com taxas de acerto que superam 99 %. A programação da Unicamp cobre desde os fundamentos de redes convolucionais até camadas de segurança contra spoofing – ponto crítico em disputas judiciais sobre autenticidade de provas.
Segundo a diretora do Instituto de Identificação, Elaine Monteiro Tonon, o treinamento “traz o que há de mais novo em identificação humana”. A fala ecoa estudos da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que reforçam a necessidade de transparência algorítmica e consentimento explícito quando dados biométricos são processados em massa.
Impacto na segurança pública e na infraestrutura digital
A adoção de IA biométrica no Tocantins insere o estado em um cenário de investimentos que, segundo a Gartner, devem atingir US$ 8,5 bilhões em softwares de segurança até 2025 na América Latina.
Para o Instituto de Criminalística, tecnologias multimodais reduzem o tempo de identificação de suspeitos de horas para segundos, ampliando a eficácia de operações interestaduais.
No entanto, a integração com bases civis, como carteiras de identidade, exige avaliação de risco residual e governança compatível com o Art. 46 da LGPD, que determina barreiras criptográficas e controles de acesso rígidos.
A Griaule, que já fornece SDKs para bancos e tribunais eleitorais, apresentou metodologias de projeto que incluem privacy by design e logs auditáveis.
Brasil na corrida global por soberania tecnológica
Países que dominam rotas críticas de semicondutores ou algoritmos proprietários ditam padrões internacionais. Paralelo ao curso, a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado debate incentivos a chips de 2 nm em solo nacional, reduzindo dependência externa em hardware de IA. Sinais de convergência entre capacitação humana e infraestrutura local emergem como estratégia central para a “autonomia de dados” defendida pelo CGI.br.
Dentro desse contexto, policiais tocantinenses formados na Unicamp tornam-se multiplicadores regionais de boas práticas, condição essencial para disseminar conhecimento fora dos eixos Rio–São Paulo. O modelo de “centros de competência” alinha-se ao Plano Nacional de IoT, que prioriza segurança pública como vertical estratégica.

A Visão de Pedro Boeno: biometria responsável e escala federativa
Análise do Editor: A capacitação em Campinas deixa claro que a próxima fronteira não é apenas técnica, mas regulatória.
Estados que internalizam IA sem arquitetura de governança correm risco de violações bilionárias, a exemplo das multas vistas na União Europeia.
O caminho crítico passa por três pilares:
1) Hardware compatível com criptografia de ponta (TPM 2.0) para armazenar templates biométricos.
2) Camadas de explicabilidade que permitam contestar falsos positivos – requisito central em perícias judiciais.
3) Integração federativa via APIs padronizadas, evitando ilhas de dados que fragilizam a soberania digital.
Quando peritos retornarem ao Tocantins, o desafio será transformar conhecimento em protocolos que dialoguem com delegacias remotas, datacenters regionais e, futuramente, edge devices 5G. A análise do BoenoTech indica que quem dominar essa tríade criará vantagem competitiva no combate ao crime cibernético e na prestação de serviços de cidadania digital.
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Sobre o Autor: Pedro Boeno é estrategista digital focado na convergência entre criatividade humana e automação inteligente. Fundou o BoenoTech para traduzir a complexidade da IA ao mercado brasileiro.
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Crédito da imagem: Divulgação / Griaule

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