Por Pedro Boeno | 2 de fevereiro de 2026 - 14:02 BRT
Em um seminário promovido pela Justiça Eleitoral no dia 27 de janeiro, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, reforçou que o uso indevido de inteligência artificial será o principal desafio das eleições presidenciais de 2026, previstas para outubro.
Com menos de 10 meses para os brasileiros voltarem às urnas, a Corte eleitoral intensifica estratégias de combate à desinformação e aos deepfakes — tecnologia de IA capaz de recriar vozes e rostos em gravações com realismo impressionante.
"A inteligência artificial é sim um dado novo que pode levar a uma transformação até de situações que o tempo todo fazem com que falsidades passem para todos nós como se fossem situações verídicas, sendo que não há correspondência entre o fato e o que você recebe em redes sociais", alertou Cármen Lúcia durante o evento.
A declaração da ministra evidencia uma preocupação crescente sobre como tecnologias emergentes podem comprometer a integridade democrática.
Segundo especialistas, a evolução acelerada da IA generativa tornou "imensamente fácil duplicar a voz de uma pessoa e não só isso, criar imagens a partir do zero e principalmente vídeos que são praticamente indistinguíveis mesmo para quem é especialista em tecnologia", conforme destacado no seminário.

- Brasil Pioneiro na Regulamentação de IA Eleitoral
- A Transição de Comando: De Cármen Lúcia a Nunes Marques
- Deepfakes: A Ameaça Tecnológica Mais Sofisticada
- Polícia Federal Reforça Segurança e Combate ao Crime Organizado
- A Visão de Pedro Boeno: Infraestrutura Digital e Soberania Tecnológica
- Conclusão: O Futuro da Democracia Digital
- FAQ da notícia
Brasil Pioneiro na Regulamentação de IA Eleitoral
O Brasil se destaca no cenário internacional como um dos primeiros países a criar normas específicas sobre o uso de inteligência artificial em processos eleitorais.
Desde as eleições municipais de 2024, o TSE estabeleceu regulamentações inovadoras que proíbem o uso de deepfakes e exigem identificação clara de conteúdos gerados por IA.
As novas regras estabelecem que vídeos produzidos por partidos e campanhas deverão ter um selo de identificação, informando que o conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial.
A medida busca garantir a transparência e permitir que eleitores reconheçam quando estão diante de materiais sintéticos.
De acordo com João Archegas, coordenador de Direito e Tecnologia do ITS Rio, "o TSE se antecipou ao cenário de 'bagunça' normativa ao observar experiências internacionais, como as eleições na Índia, e buscou garantir uma estabilidade normativa mínima antes que o uso dessa tecnologia gerasse caos no pleito" Poder360.
Três Esferas de Responsabilização
O sistema de penalidades brasileiro para crimes eleitorais envolvendo IA opera em três frentes:
- Área Penal: Crimes previstos no Código Penal Brasileiro, como falsidade ideológica e estelionato
- Área Cível: Infrações relacionadas a danos à imagem e honra das pessoas
- Crimes Eleitorais: Irregularidades específicas previstas nas normas eleitorais, com sanções que vão de multas até a cassação de candidatura ou impugnação de mandato
Alexandre Basilio, professor de Direito Eleitoral e integrante da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), explica que "o uso de conteúdo sintético produzido por IA é permitido, desde que haja informação clara, visível e acessível ao eleitor.
De outro lado, a norma é muito mais rigorosa em relação aos deepfakes" CNN Brasil.
A Transição de Comando: De Cármen Lúcia a Nunes Marques
Um aspecto relevante do cenário eleitoral de 2026 é a transição na presidência do TSE.
O ministro Kassio Nunes Marques assumirá o comando da Justiça Eleitoral em junho de 2026, substituindo Cármen Lúcia.
Ele será o primeiro ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro a presidir o tribunal durante eleições gerais.
Cármen Lúcia sinalizou que passará pessoalmente ao ministro Nunes Marques o programa de combate às fake news, apresentando os métodos e equipes especializadas do TSE.
Reuniões mensais já estão sendo realizadas para discutir estratégias de segurança eleitoral e garantir a continuidade das ações de combate à desinformação.
A transição ocorre em um momento crítico, com especialistas apontando que "a Justiça Eleitoral não tem dimensão do problema que vem pela frente. Quando a maré começar a subir, vai ser um toque para virar tsunami", nas palavras de João Archegas.
Deepfakes: A Ameaça Tecnológica Mais Sofisticada
Os deepfakes representam a fronteira mais perigosa da manipulação digital. Utilizando redes neurais avançadas e algoritmos de machine learning, essa tecnologia consegue:
- Recriar vozes com precisão, incluindo entonação, sotaque e pausas características
- Sintetizar rostos e expressões faciais com realismo fotográfico
- Gerar vídeos completos de pessoas dizendo ou fazendo coisas que nunca aconteceram
- Operar em tempo real, permitindo interações ao vivo falsificadas
Segundo relatório da Gartner publicado em 2024, até 2026 cerca de 30% das empresas considerarão as soluções de verificação e autenticação de identidade pouco confiáveis devido à proliferação de deepfakes.
No contexto eleitoral, isso significa que um candidato pode ser artificialmente colocado em situações comprometedoras, fazendo declarações nunca proferidas ou participando de eventos fictícios.
O TSE já desenvolve um projeto específico de combate às deepfakes, que inclui ferramentas de detecção automatizada e protocolos de remoção rápida de conteúdo.
No entanto, Marcelo Carneiro, chefe da seção de Defesa Cibernética do TSE, admite que a identificação de conteúdos falsos "ainda exige amadurecimento técnico" e cooperação das plataformas digitais.
Polícia Federal Reforça Segurança e Combate ao Crime Organizado
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, participou do seminário reforçando o compromisso da instituição com a independência durante o processo eleitoral.
Rodrigues anunciou que a PF investigará crimes eleitorais envolvendo facções criminosas, reconhecendo que grupos organizados podem utilizar desinformação e tecnologias de IA para influenciar resultados em regiões sob seu domínio territorial.
Essa atuação marca uma expansão do escopo de segurança eleitoral no Brasil, reconhecendo que ameaças à democracia não vêm apenas de candidatos ou partidos, mas também de atores não-estatais com interesse em desestabilizar o processo democrático.

A Visão de Pedro Boeno: Infraestrutura Digital e Soberania Tecnológica
A questão da inteligência artificial nas eleições brasileiras transcende aspectos regulatórios e adentra um debate estratégico sobre soberania digital.
Enquanto o TSE avança em normas e protocolos, o Brasil permanece dependente de tecnologias de detecção de deepfakes desenvolvidas principalmente nos Estados Unidos e Europa.
Diferentemente de outros setores onde o país demonstrou capacidade de desenvolver soluções proprietárias — como as urnas eletrônicas, reconhecidas internacionalmente —, os sistemas de identificação de IA maliciosa ainda são majoritariamente importados.
Isso cria uma vulnerabilidade estratégica: estamos legislando sobre tecnologias que não controlamos completamente.
A comparação internacional reforça esse ponto.
Enquanto o Brasil regulamenta, a China desenvolve suas próprias ferramentas de auditoria de algoritmos com marcas d'água e metadados criptografados.
A União Europeia, através do AI Act, estabelece exigências de governança que forçam empresas a investir em capacidades locais.
Já os Estados Unidos, mesmo em cenário fragmentado, concentram os principais laboratórios de pesquisa em IA.
O desafio brasileiro é duplo: precisamos não apenas fiscalizar o uso de IA nas eleições, mas também investir em capacidade nacional de desenvolvimento dessas tecnologias de defesa.
Caso contrário, estaremos eternamente um passo atrás daqueles que criam as ferramentas de manipulação.
Outro ponto crítico é a infraestrutura de resposta rápida.
O TSE menciona reuniões mensais e protocolos em desenvolvimento, mas a velocidade de disseminação de conteúdo nas redes sociais é medida em minutos.
Um deepfake viral pode alcançar milhões de eleitores antes que a Justiça Eleitoral consiga identificá-lo, analisá-lo judicialmente e determinar sua remoção.
Precisamos de sistemas automatizados de detecção precoce, integrados diretamente às plataformas, com capacidade de resposta em tempo real.
Isso exige parcerias tecnológicas profundas com empresas de redes sociais — algo que o próprio TSE admite ainda estar em construção.
Conclusão: O Futuro da Democracia Digital
As eleições de 2026 serão um teste crucial para a democracia brasileira na era da inteligência artificial.
O país se posiciona como referência regulatória internacional, mas enfrenta o desafio de transformar normas avançadas em proteção efetiva do processo democrático.
A transição de comando no TSE, a evolução acelerada das tecnologias de deepfake e a necessidade de cooperação entre instituições públicas, empresas de tecnologia e sociedade civil compõem um cenário complexo.
O sucesso dependerá não apenas de leis rigorosas, mas de investimento em capacidade técnica nacional, sistemas de resposta rápida e educação digital da população.
Como destacou a ministra Cármen Lúcia, "a tecnologia não é boa ou ruim em si, mas o mau uso pode contaminar eleições".
Cabe agora ao Estado, à sociedade e ao setor tecnológico trabalharem coordenadamente para garantir que a IA seja ferramenta de transparência e informação, não de manipulação e engano.
Os próximos meses dirão se o Brasil conseguirá honrar seu pioneirismo regulatório com efetividade operacional — ou se as eleições de 2026 revelarão as fragilidades de uma infraestrutura digital ainda em construção.
FAQ da notícia
O que caracteriza um deepfake eleitoral no Brasil?
Deepfake eleitoral é a utilização de tecnologia de inteligência artificial para criar, alterar ou substituir a imagem ou voz de uma pessoa em áudios ou vídeos, com a finalidade de favorecer ou prejudicar candidaturas. É expressamente proibido pela legislação brasileira e enquadrado como abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação.
Quais são as penalidades para quem usa deepfakes em campanhas?
As sanções variam conforme a gravidade e podem incluir: multas eleitorais, multas em esfera cível por danos à imagem (até R$ 50 milhões conforme o marco de IA em tramitação), responsabilização penal por crimes como falsidade ideológica, e consequências eleitorais que chegam até a cassação do registro de candidatura ou do mandato, além de inelegibilidade.
Como os eleitores podem identificar conteúdos gerados por IA?
A partir de 2024, o TSE determinou que todo conteúdo eleitoral produzido com auxílio de inteligência artificial deve conter selo de identificação visível, informando claramente que foi criado ou modificado com tecnologia de IA. Eleitores devem desconfiar de vídeos com movimentos faciais anormais, sincronização imperfeita entre áudio e imagem, e sempre buscar confirmação em fontes oficiais antes de compartilhar conteúdo suspeito.
O Brasil está preparado tecnologicamente para enfrentar esse desafio?
Apesar de ser pioneiro em regulamentação, o Brasil ainda enfrenta limitações técnicas. O próprio TSE reconhece que a identificação de deepfakes "exige amadurecimento técnico" e maior cooperação com plataformas digitais. Especialistas alertam que a capacidade institucional precisa ser ampliada significativamente antes das eleições de outubro de 2026.
DISCLAIMER: Este conteúdo foi redigido com apoio de IA para pesquisa e otimização, sob supervisão e revisão integral do especialista Pedro Boeno. Todas as informações foram verificadas em múltiplas fontes de alta autoridade em 2 de fevereiro de 2026.
Sobre o Autor: Pedro Boeno é um estrategista digital e entusiasta de tecnologia com foco na convergência entre criatividade humana e automação inteligente.
Com uma trajetória marcada pela análise crítica de tendências digitais, Pedro Boeno fundou o BoenoTech com a missão de traduzir a complexidade da Inteligência Artificial para o mercado brasileiro.
- Editor: Pedro Boeno
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Fontes consultadas:
- Band Jornalismo - Inteligência Artificial será desafio durante as eleições
- Poder360 - Brasil é único com normas sobre IA nas eleições
- CNN Brasil - Uso de IA e riscos da desinformação
- TSE - Tribunal Superior Eleitoral

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